Em Consumidor

Sabemos que nos encontramos em uma pandemia cuja necessidade de isolamento físico gerou um enorme impacto para o comércio: com a maioria das lojas, bares, restaurantes e shoppings fechados, as vendas em negócios presenciais despencaram a partir da segunda quinzena de março.

No entanto, a demanda por todo tipo de produto vendido presencialmente, embora possa ter caído em muitos casos, ainda existe e precisa ser atendida de alguma forma; nesse contexto, ganharam importância os e-commerces (comércios eletrônicos), que vêm experimentando aumentos significativos de faturamento.

Hoje vamos entender essa nova dinâmica de comércio movido por meios virtuais, passando pelo case de expansão do Mercado Livre, além de falar do que se deve ter em conta ao realizar uma compra pela Internet. Vamos lá!

A explosão do e-commerce

A necessidade de absorver a demanda que ficou impossível de atender nas lojas presenciais levou a uma natural expansão do comércio virtual. Lojas se reinventaram para oferecerem produtos pela internet, restaurantes que não tinham delivery tiveram de implantá-lo e muitas empresas readequaram estratégias de marketing e vendas.

De acordo com o Compre&Confie, o e-commerce brasileiro faturou nada menos que R$ 9,4 bilhões em abril, mais de 80% de aumento em relação ao mesmo mês em 2019. Foram 24,5 milhões de compras online, praticamente o dobro de abril do ano passado.

Segmentando esse aumento por categoria, tivemos as maiores expansões em alimentos e bebidas (aproximadamente 295%), instrumentos musicais (mais de 250%), brinquedos (cerca de 242%) e artigos eletrônicos (aproximadamente 170%). Muitos produtos, como os de saúde e pet shop, eram pouco vendidos online e ganharam um novo território.

O ganho de terreno do e-commerce também ocorre nas transações entre empresas: nas vendas totais B2B (business to business, ou seja, de uma empresa a outra), as vendas digitais saíram de uma fatia de mercado de 42% para 62% em abril, segundo a consultoria McKinsey.

Embora ainda exista certo receio no setor, com quase 60% das empresas que fazem vendas B2B no Brasil reduzindo o investimento em marketing em virtude da pandemia, o mercado internacional é otimista: metade das empresas estadunidenses apostam em uma retomada da economia em até 3 meses após o fim da pandemia, ainda segundo a McKinsey.

O protagonismo do Mercado Livre

Principal plataforma de comércio online do Brasil, o Mercado Livre vivencia uma grande expansão no seu volume de operações com a recente escalada do e-commerce. Agora, a empresa passará a oferecer produtos de supermercado em sua lista de possibilidades.

Além disso, o Mercado Livre aumentou a quantidade de galpões para estoque de mercadorias, a fim de dar agilidade às entregas: segundo o Estadão, a empresa locou novos galpões em Aracaju (SE), Juiz de Fora (MG) e Guarulhos (SP), estando em negociações para locar outros em Contagem (MG) e Viana (ES).

A expansão se justifica: o Mercado Livre teve alta de quase 73% no volume de pedidos em abril, em comparação com o mesmo mês do ano passado. A empresa espera investir R$ 4 bilhões em 2020.

Impactos na vida do consumidor

A expansão do e-commerce forçou não apenas comerciantes, mas também consumidores a se reinventarem. Não apenas o consumidor teve de se acostumar em comprar constantemente pela Internet, como também em evitar compras por impulso.

Isso acontece pois, em meio digital, ao se receber um anúncio atraente, o consumidor pode efetuar uma compra em poucos cliques, sem precisar sair de onde está, o que exige cuidados para evitar o descontrole com as compras.

Além disso, a facilidade de serviços delivery colabora para o descontrole: é necessário se policiar para não comprar comida por aplicativo todos os dias, por exemplo, o que pode gerar um susto ao fechar as contas no fim do mês.

No que ficar atento na hora da compra

O consumidor também precisa se acostumar a tomar certos cuidados antes de efetuar compras via e-commerce. É necessário verificar se o site ou aplicativo da loja é real e não forjado para aplicar golpes, por exemplo.

Caso a compra seja feita através de um vendedor independente, dos que operam através do Mercado Livre, por exemplo, é importante conferir a reputação do vendedor na plataforma e eventuais comentários de outros clientes para se certificar de que é um profissional sério.

Também é preciso ficar atento aos seus direitos! Em compras realizadas pela Internet, o consumidor tem, por lei, direito de arrependimento de 7 dias, durante o qual poderá devolver o produto (ou cancelar o serviço) e ter o dinheiro gasto de volta.

É importante lembrar, no entanto, que existe um projeto de lei – PL 179/2020 para suspender o direito de arrependimento até outubro/2020, como forma de evitar uma onda de devoluções e resguardar também as empresas nesse momento de crise. O Projeto, já aprovado pelo do Senado, seguiu para sanção da Presidência da República*.

Tomando os devidos cuidados e se controlando para evitar compras por impulso, o e-commerce é uma excelente maneira de adquirir produtos e serviços de forma cômoda, prática, e, sobretudo, segura em tempos de pandemia.

 

*Fonte: Agência Senado

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