O que a entrada da Telefônica no segmento de saúde representa para o mercado?

A digitalização trouxe muitas novas formas de negócio. E essa mudança vai além da popularização das vitrines e vendas online, chegando a abrir as portas a novos produtos e serviços, objetivando a conquista de novos mercados.

Aproveitando sua base de clientes, a reputação da marca e principalmente a tecnologia disponível, empreendedores e empresários de todos os portes estão atentos às demandas e oportunidades que surgem a todo momento.

Embora com a pandemia a velocidade da transformação digital tenha sido arrebatadora, este era um processo que já vinha caminhando a passos largos e a entrada da grande massa de consumidores nessa nova era, tem disparado a quantidade de novas ofertas disponíveis.

Gilberto Badaró de Almeida, sócio na Badaró Almeida & Advogados Associados, comenta:

“Empresas que até então vendiam ou ofereciam apenas um tipo de serviço, estão cada vez mais diversificando seu portfólio, aproveitando sua base de clientes para oferecer uma variedade de serviços, antes não pertencentes ao escopo inicial do negócio.”

Isso é exatamente o que aconteceu com a Telefônica. A empresa, proprietária da marca Vivo, hoje a maior no setor de telecomunicações, possui planos grandiosos. 

A marca tem investido esforços para se tornar uma empresa de serviços digitais com produtos diversificados, que atende serviços financeiros e residenciais, segurança digital, suporte tecnológico a até programas de benefícios.

No segmento financeiro, a Telefônica dispõe hoje em seu portfólio de produtos como o Vivo Money, o cartão digital Vivo Itaucard e o Vivo Pay. Já no programa de benefícios, a empresa aumentou sua participação com a Dotz (chegando a 48 milhões de clientes), enquanto através da parceria com a plataforma CDF oferece assistência tecnológica e residencial.

Agora a Telefônica divulgou sua mais recente parceria com a Teladoc Health, uma multinacional americana do setor de saúde. O objetivo da nova plataforma, chamada de Vida V, é oferecer consultas médicas, onlines e até presenciais no futuro, além de descontos em farmácias e programas de saúde e bem-estar. 

Christian Gebara, diretor-presidente da empresa, explica que o serviço não se trata de um plano de saúde e sim de um marketplace. O valor mensal ainda será definido e estrategicamente visa atingir o consumidor final de pequenas e médias empresas. A Vida V chega no segundo semestre já com a promessa de não ser a única parceira da Telefônica no setor de saúde caso o lançamento dê certo.

Gilberto Almeida enfatiza, comentando sobre o avanço mercadológico da Telefônica: 

Essas empresas já entenderam que os seus clientes são um grande ativo e que poderão aproveitar várias oportunidades, independente do serviço a ser oferecido, agregando ainda a esses serviços programas de fidelidade, por exemplo.

Seguindo o case da Telefônica, os resultados do primeiro trimestre de 2021 apresentaram um lucro líquido de R$942 milhões, que foi 18,3% menor em comparação anual. Já a receita operacional líquida permaneceu estável. Enquanto os novos serviços contribuíram para a manutenção da receita, a pandemia foi apontada como responsável por parte dessa perda no lucro. 

David Melcan, diretor de finanças da Telefônica, aponta que os dados estão relacionados à comparação ser anterior ao início da crise pandêmica, à venda pontual de torres que ocorreram com um lucro excepcional de R$75,7 milhões e a uma maior depreciação de custos financeiros. 

Apesar do aumento de produtos e serviços, o digital ainda é a principal parte do negócio da Telefônica, que compõe com o celular, a fibra óptica e a TV por internet um grupo que representou 88,1% da receita operacional líquida, 4,7% a mais que no ano anterior. 

A Telefônica também possui serviços cujas tecnologias ficaram ultrapassadas, como a telefonia fixa, a internet tradicional de telefonia e a tv por assinatura via satélite que perderam importância no mercado. Estes serviços “non-core” responderam por 11,9% da receita, com queda de 24,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. 

Dentro de telecomunicações e tecnologia, a fibra superou os formatos xDSL e DTH, fazendo com que a receita de FTTH crescesse mais de 61%, indo para R$1bilhão. 

Hoje, o executivo da Telefônica considera um marco os 3,7 milhões de acessos até o domicílio atendidos pela Vivo, mas Gebara quer tornar a cobertura disponível a 24 milhões de brasileiros até 2.024. Para isso a empresa investiu 18% a mais, chegando a R$1,9 bilhão para fibra e cobertura móvel. 

Para atender a esse objetivo, a Telefónica espanhola espera a aprovação da ANATEL para a criação da joint venture FiBrasil, com a subsidiária Telefônica e o grupo de investimentos canadense CDPQ para formar uma rede neutra de fibra.

Com as pessoas em casa e precisando melhorar a qualidade de sua internet, as redes de fibra mantiveram seu crescimento, com 2,9% positivos nesse primeiro trimestre, chegando a 96 milhões de acessos. 

O executivo ainda lembra que ao final de 2020 o que era uma tendência de recuperação econômica acabou não ocorrendo, devido à nova onda de Covid-19, com o  fechamento do comércio e a suspensão da ajuda governamental. Porém, a Telefônica já estava preparada digitalmente para este novo formato de negócios exigidos pelo lockdown e isolamento social e acabou superando a crise. 

Independente dos números e planos apresentados pela Telefônica, é importante ressaltar que falamos sobre uma tendência de novas oportunidades também para pequenos e médios empreendedores. Adaptar-se e crescer com a crise é algo tangível.

Sobre isso, Gilberto Almeida comenta e recomenda:

“Não apenas grandes empresas podem se valer disso, mas também, inclusive, pequenas e médias empresas, salientando que é importante um planejamento prévio, além de uma assessoria jurídica adequada, para apoiar a estruturação de novas frentes de produtos e serviços.”

 

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